{"id":1264,"date":"2024-10-31T16:29:37","date_gmt":"2024-10-31T16:29:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aric.pt\/wp\/?p=1264"},"modified":"2024-11-22T23:11:29","modified_gmt":"2024-11-22T23:11:29","slug":"a-radio-o-ultimo-bastiao-de-acesso-universal-a-informacao-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aric.pt\/wp\/?p=1264","title":{"rendered":"A R\u00e1dio: O \u00daltimo Basti\u00e3o de Acesso Universal \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o em Portugal"},"content":{"rendered":"<p>Em Portugal, a r\u00e1dio privada destaca-se como o \u00fanico meio de comunica\u00e7\u00e3o social gratuito e universal. Num momento em que o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o est\u00e1 cada vez mais condicionado a subscri\u00e7\u00f5es e pagamentos, a r\u00e1dio permanece como um o\u00e1sis do acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. Numa era de crescimento das plataformas pagas, o acesso a not\u00edcias e conte\u00fados diversificados sem custo direto \u00e9 essencial para garantir que toda a popula\u00e7\u00e3o esteja informada, independentemente de sua condi\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica.<\/p>\n<p>Atualmente, 94% dos portugueses acedem \u00e0 televis\u00e3o atrav\u00e9s de servi\u00e7os pagos, os jornais impressos t\u00eam um custo de compra ou assinatura e os jornais online exigem n\u00e3o s\u00f3 uma assinatura em muitos casos, mas tamb\u00e9m uma liga\u00e7\u00e3o \u00e0 internet, que tem seus custos pr\u00f3prios. Essa realidade exclui cerca de 15% da popula\u00e7\u00e3o com mais de 15 anos, que simplesmente n\u00e3o disp\u00f5e dos meios para consumir esses conte\u00fados. E \u00e9 aqui que a r\u00e1dio se torna indispens\u00e1vel.<\/p>\n<p>A r\u00e1dio, presente em cada recanto de Portugal, chega \u00e0 totalidade do territ\u00f3rio nacional sem barreiras econ\u00f4micas ou tecnol\u00f3gicas que impe\u00e7am o seu acesso.\u00a0Esta abrang\u00eancia territorial e acessibilidade fazem dela uma ferramenta essencial para a coes\u00e3o social e territorial do pa\u00eds. A r\u00e1dio continua a informar, educar, entreter e unir a popula\u00e7\u00e3o, desempenhando um papel c\u00edvico que transcende a simples comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Contudo, mesmo com toda a sua import\u00e2ncia, a r\u00e1dio enfrenta desafios estruturais que comprometem sua sustentabilidade. Ao contr\u00e1rio de outros meios de comunica\u00e7\u00e3o que contam com avultados subs\u00eddios e apoios financeiros, a r\u00e1dio privada n\u00e3o recebe nenhum tipo de incentivo p\u00fablico para manter sua distribui\u00e7\u00e3o ou para a produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fados de qualidade. Essa falta de apoio coloca em risco sua capacidade de se adaptar aos novos tempos, num mercado onde a sobreviv\u00eancia depende exclusivamente do meio publicit\u00e1rio.<\/p>\n<h4>O Or\u00e7amento de Estado para 2025, recentemente apresentado, continua sem trazer qualquer novidade para o setor, mantendo a mesma postura dos governos anteriores. Esta aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas para a r\u00e1dio revela uma falta de vis\u00e3o estrat\u00e9gica para um setor que, al\u00e9m de representar o \u00faltimo basti\u00e3o de acesso gratuito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, desempenha pap\u00e9is fundamentais nas comunidades locais.<\/h4>\n<p>\u00c9 importante lembrar que algumas das r\u00e1dios locais s\u00e3o detidas por corpora\u00e7\u00f5es de bombeiros ou Institui\u00e7\u00f5es Particulares de Solidariedade Social (IPSS\u2019s). Este fato, por si s\u00f3, refor\u00e7a a relev\u00e2ncia da r\u00e1dio local como um ativo comunit\u00e1rio essencial, especialmente em regi\u00f5es mais isoladas. Estas r\u00e1dios de proximidade representam muito mais do que um canal de entretenimento e informa\u00e7\u00e3o; elas s\u00e3o parte integrante da vida comunit\u00e1ria, oferecendo uma plataforma para o debate local, campanhas de interesse p\u00fablico e informa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas em momentos de emerg\u00eancia.<\/p>\n<p>Se a r\u00e1dio \u00e9 a \u00fanica a garantir o acesso universal e gratuito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o n\u00e3o seria justo esperar que o Estado e a sociedade civil reconhecessem essa miss\u00e3o e a apoiassem de forma efetiva? Afinal, garantir a sobreviv\u00eancia da r\u00e1dio \u00e9 assegurar que a informa\u00e7\u00e3o continue a chegar a todos os portugueses, sem discrimina\u00e7\u00e3o. \u00c9 hora de reavaliar o papel da r\u00e1dio privada em Portugal e garantir que ela continue a ser uma voz ativa, presente e livre\u00a0para\u00a0todos.<\/p>\n<p><em><strong>Nuno Cruz In\u00e1cio<\/strong><\/em><br \/>\nPresidente da Dire\u00e7\u00e3o da ARIC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Portugal, a r\u00e1dio privada destaca-se como o \u00fanico meio de comunica\u00e7\u00e3o social gratuito e universal. Num momento em que o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o est\u00e1 cada vez mais condicionado a subscri\u00e7\u00f5es e pagamentos, a r\u00e1dio permanece como um o\u00e1sis do acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. 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